sábado, 6 de fevereiro de 2010

um dia você aprende

William Shakespeare

Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não para para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto... plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"

domingo, 17 de janeiro de 2010

carta fora do baralho



Um novo jogo começõu, dá-se as cartas, há um novo coringa pois os outros não tem mais serventia. Quantas rodadas vão ser necessárias pra você se cansar e trocar de baralho?

Quem perde sai mas você sempre fica, esse é o seu jogo, você faz as regras, por isso sempre vence e dessa vez não vai ser diferente, pobre do coringa...O que você ganha? Nada, essa é a questão.

Quem é pouco se contenta com menos ainda. Você só quer um jogo rápido pra passar o tempo, pra preencher o vazio, nada mais. Logo você se distrai e busca outras cartas, forma outros baralhos. Afinal o que importa é o jogo, desde que você vença e você sempre vence. Mas nunca ganha.



quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

telefone mudo


- Alô, diz uma voz animada, despreocupada. Do outro lado da linha, silêncio. O medo paralisa enquanto  o meu coração dispara, bate contra o peito quase que esmurrando. Dor.

Um clic, um fim. Nova tentativa, mesma consequência: nada. "Melhor deixar pra lá" diz uma voz na minha cabeça, mas logo a ignoro. Estes cismares que me levam a acumular erros e novas decepções; enganos da esperança, por velhas ilusões acalentada.

Outro dia, a mesma merda. Um, dois, três toques, poucos segundos, muitos receios.

- Alô, diz a voz, mas não tão animada dessa vez.

- Oi - é o que sai, sufocado, sem tom.

Então as palavras jorram, uma seguida da outra, sem sentido algum.

- Como você está? insisto em saber, masoquista que sou. - Tá tudo bem?

- Estou muito feliz, ele diz, depois uma punhalada. Toda palavra é crueldade.

E assim a esperança se esvai, mas a voz não se cala, continua a dizer coisas sem importância e a cada palavra uma pontada. Da minha boca seca só saiam palavras repassadas de desespero, frases desconexas.

"Ele não precisa mais de você, ele não se importa com você, ele nunca amou você", diz meu eu insensível. Cai a ligação e eu fico parada, atordoada numa rua qualquer onde agora jaz um pedaço de mim.

Uma conversa, uma tentativa, uma nova frustração. Então a chuva de lágrimas volta forrando a minha alma inteira numa surda agonia. 
   
Ouvindo...

I Just Don't Know What To Do With Myself (White Stripes)


I just don't know what to do with myself
I don't know what to do with myself
Movies only make me sad
Parties make me feel as bad
'Cause I'm not with you
I just don't know what to do


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

micro mundo


Quando criança sonhava com um mundo só meu, repleto de cores e flores, onde quem acreditasse podia ser o que quiser, sem que ninguém dissesse que sonhos não se reakizam.

No meu sonho eu brincava nas nuvens, dançava com as fadas, cantarolava segredos. Apostava corrida com o vento e às vezes até vencia.

No meu sonho eu era valente, não fugia de desafios, não chorava pelos cantos. No meu sonho eu podia tudo, não existiam limites para me prender nem medos nem dor.

No meu sonho a felicidade era para todos, só bastava querer. No meu sonho nada me feria, eu era livre.

Crua realidade que me fez despertar... O tempo passou e nada restou. Mergulhei para a vida, que me distrai e desorienta, com as ilusões que alimenta.

Como eu queria ainda sonhar e as estrelas alcançar. Quanto era doce ficar quase sonhando e quase acordada, devagar, devagar e nada mais.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

encerrando ciclos

Caos, define bem o que esse ano foi pra mim... tantas decepções que só somaram pra aumentar a confusão.

Logo no início uma queda inesperada, a qual ainda não consegui me recuperar por completo, e que quase sempre que eu me lembro traz dor.

Um pouco depois uma outra queda, que quase me fez perder a razão. Eu tinha prometido a mim mesma que não iria mais seguir o meu coração, ele é um péssimo guia, mas foi só mais uma falsa promessa.

Como eu não consigo controlar os meus sentimentos, resolvi dar uma nova chance para um amor "difícil"; no fim foi mais uma chance para velhos erros; novas marcas para velhas feridas.

Sonhos foram desfeitos, novos caminhos foram percorridos, o tempo passou e eu me dei conta de que nada é insubstituível. Das coisas que tenho na vida, de poucas posso me orgulhar. Ainda que eu não queira, tenho me lembrado de momentos difíceis e de pesssoas que por mim passaram, mas que nada deixaram.

Percebi que não sou mais a mesma, experimentei a sensação de ser virada pelo avesso, me afastei de mim, atordoada mas não morta. Entendi que nada me pertence de verdade, nem a minha própria vida, que passa cada vez mais rápido. Eu continuo a me procurar, mas vou me perdendo ainda mais...

Às vezes a vida é uma farsa e o mundo um esculacho, mas mesmo assim sempre é tempo para começar ou recomeçar e é esta a razão que me obriga a confiar no amanhã.

É por isso que eu vou seguir em frente, vou lutar, vou ser ferida, mas no final vou estar de pé.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

vicissitude


A minha vida se resume numa busca eterna; busco o desprendimento de mim mesma e a minha presença no mundo. À medida que me apego ao destino, o resto já não mais me pertence, a eternidade não me importa. Tento entender e dar sentido a coisas que nunca poderei explicar, no mais experimentar.

Talvez seja verdade que tudo o que acontece está de acordo. O que ontem foi, hoje deixou de ser; pessoas vão, pessoas vem, multiplicadas em infinitos caminhos. Perdas são necessárias, nada é para sempre e o tempo nunca se repete.

Sigo o meu caminho buscando mudanças, tentando me tornar alguém melhor. Não tento ser perfeita, quero ser real; de nada adianta viver sonhando e se esquecer de viver. A vida é feita agora!

Levo na bagagem alguns poucos sonhos, mas muita esperança. As decepções, as derrotas, o desânimo, deixo pra trás, não me valem; já o medo, controlo, senão ele me domina e depois me destrói.

A cada passo que eu dou acumulo erros porém reconheço que o fracasso nunca é definitivo; é preciso coragem para dar passos errados e muita perseverança para corrigir tais erros. Não quero mudar o passado, depois que acontece é fácil saber o que deveria ter sido feito. Vagos ideais de nada me servem. Não gosto de quem me promete demais, prefiro quem me dá, mesmo que seja pouco, desde que verdadeiro e sincero.

O meu caminho eu faço sozinha; não quero atalhos nem uso rotas conhecidas. Nada de soluções prontas ou poções mágicas. Não quero que me digam o que fazer, gosto de métodos empíricos. Já não peço nada a ninguém, mas não dispenso ajuda quando preciso, humildade é uma qualidade rara!

Eu não sei dizer frases feitas, eu não sei viver de mentira. Prefiro a ingenuidade, prefiro me arriscar... Eu só quero ser quem eu sou.





terça-feira, 8 de dezembro de 2009

dia de chuva é dia de pancadas


O céu está prestes a cair, tudo desmorona ao meu redor, e a solidão é uma companheira indesejável.

A angústia da incerteza me corrói enquanto o medo me destrói.

Às vezes o frio me castiga, noutras, me irrita, mas tem vezes que eu nem me importo, nada mais me fere, eu sequei.

Há sempre escuro em mim, a névoa não dissipa.

Ouço vozes que nada me dizem, vejo coisas mas não consigo enxergar, sinto o que não desejo...

Imagino outros caminhos, mas tão logo penso logo me esqueço.

Me perdi em meio ao caos.




Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem; cada um como é.


 

©2009 Delírios Mudos | by TNB