Sexta-feira

vozes da memória

Enquanto a vida vai cuidando de traçar os caminhos, o destino me prega peças e eu tento me esquivar dos obstáculos que encontro pelo percurso, mas nem sempre é fácil.


O tempo me incomoda, nem sempre dá tempo de fazer tudo o que eu quero e o futuro é incerto. O passado nada mais é do que lembranças amargas e o presente, uma grande confusão da qual eu não consigo sair.

Ainda continuo com a péssima mania de tentar entender tudo; mas nem sempre existe sentido nas coisas, o que as tornam únicas e especiais.

Não sinto mais dor, nem nada. Talvez uma angústia quando surge alguma lembrança sua... a risada de mongo, a balela mística ou um dos discursos demagogos que você costumava fazer, e ainda faz, com certeza. Às vezes lembro do seu andar desajeitado, suas roupas um tanto surradas e da sua cara dissimulada que merece um soco.

E pensar que você já foi tudo pra mim e hoje não passa de uma ferida que teima em cicatrizar, mais uma ironia do destino.

Sei que eu deveria ter tomado cuidado, não tinha que ter me envolvido, mas o perigo me seduz. Além do mais tinha química, muita química e eu sou propensa a me viciar; adoro me entorpecer, me distrair...

Você me fez construir sonhos e depois os desmoronou. Acabou com o meu amor, me machucou e agora eu sei o quanto eu te odeio pelo que fez a mim, nada me faz esquecer. Posso não ter cortado os pulsos, mas se o fizesse, talvez eu não tivesse sangrado tanto. E você saiu ileso, como sempre, tão alheio a realidade, tão distante no seu mundinho de fantasia... vai saber o que se passa nessa sua cabeça doentia.

E o que restou? Nada! Bem, não tem como terminar algo que sequer começou; e assim é e sempre vai ser. Um dia você vai entender e quem sabe eu poderei lhe perdoar.

De quem é a culpa? Se não for eu ou você, quem é o culpado? Talvez a culpa seja do meu amor, que ingenuamente se projetou sobre algo que não existe. Ou então da bebedeira, que ao invés de curar a dor, me fez engolir e o gosto é tão amargo quanto o seu, outra ironia.



Terça-feira

sonho de liberdade

Os caminhos são inconstantes.
Lá fora a cidade fria e cruel
Desperta desejos
Mata almas
Esconde segredos


A incerteza assusta
E no vazio do silêncio, medo
Mas tudo passa num instante.


Já chorei por quem partiu
E perdi quem eu amei
Mas isso não é mais importante
A vida passa depressa
E desfaz os enganos
Que o destino faz.


Ao olhar bem nos seus olhos
A única coisa que vi foi dúvida.
Enquanto a ilusão te seduz
Você se acomoda.


Sei que você não quer fracassar
E por isso desisti
Mas nem chegar a tentar é sempre um erro
Se você cair talvez consiga voar.

Sexta-feira

cafeinismo


Adoro café. Odeio mediocridade.
Café tem que ser forte pra dar alento. Não gosto de café-comprido, aquele muito ralo; lembro de gente cretina e isso me embrulha o estômago. Gosto de café forte e de gente autentica.
Não gosto de café fraco, aguado e sem sabor, é tão desprezível quanto perfídias e mentiras. Prefiro café um pouco amargo, doce e terno pra mim, ainda mais se tiver um toque de realidade pra me afastar de ilusionistas e manipuladores; nada de adoçante ou açúcar demais pra tentar disfarçar. Detesto coisa melada bem como gente melosa, “boazinha” demais e que tente parecer legal sempre.
Um café fresco não se compara ao requentado. Não há nada mais gostoso do que uma xícara de café feito na hora numa noite fria. Afinal, não dá pra gostar de coisas passadas, que se tornam maçantes por tanto se repetirem.
Anseio por novidades, adoro me surpreender, mas isso não acontece muito quando se é rodeado por gente medíocre, aquele tipo que não consegue assumir os próprios erros mas julga os dos outros com total inclemência.
Café solúvel é tão ruim quanto gente volúvel, que não parece saber o que deve ser ou o que quer e que fica eternamente se decidindo sem se decidir, pondo mais pessoas na sua confusão, seja de caso pensado ou não. Todavia, por ser um quebra galho deveras útil, deve-se ter senso para não dispensar a simplicidade do café solúvel, visto que o medíocre presidi a dificuldade e nada como um café para acalmar os ânimos, seja ele bom ou ruim, comme il faut.
Afinal, cada um fica com o que é mais cômodo pra sim mesmo.
Adoro café. Odeio mediocridade.

Terça-feira

aniversário


Aniversários são importantes não porque alguém nasceu em determinado dia, isso é irrelevante. O que realmente importa num aniversário é o significado que ele traz, que é a celebração da vida.
Todo ano é a mesma coisa. É chegada a tal data em que familiares e amigos dão parabéns e votos de felicidade, meu consumismo inato fica inquieto e eu fico à espera de que alguma coisa realmente boa aconteça para fazer jus a esta data mas nem sempre acontece algo que me satisfaça, pelo menos eu não percebo.
Ninguém é especial porque nasceu em 15 de abril ou 4 de julho ou então em 27 de outubro, como é o meu caso. Não, o que faz uma pessoa ser especial é o que ela é, seus atos e até mesmo sonhos, por mais escassos que estes sejam. Eu me sinto especial por poder ser quem eu quiser ser, apesar dos meus medos e receios.
Às vezes fazer anos pode abrir portas para reflexões, pode ser um encontro com o "eu" profundo. É quando se pode olhar pra trás e ver todas as falhas e os passos errados dados num caminho desconhecido. Ver as feridas cicatrizadas e outras que ainda sangram apesar do tempo...
Mas também é possível recordar bons momentos que infelizmente não voltam. Poder lembrar de um abraço apertado, do amor dado, de carinhos infinitos ou de risadas verdadeiras, enfim, poder lembrar que a vida é uma caixinha de surpresas e que não dá pra saber o que vai acontecer faz com que se valorize cada minuto de alegria e felicidade e viver cada dia como se fosse único.
E assim é possível superar todos os obstáculos do dia a dia, porque se não dá para ser feliz o tempo todo, também não dá para sofrer eternamente. A vida é feita de desafios e alcançar o que se deseja não é fácil, mas nem por isso deixa de ser satisfatório.
Quando criança eu me contentava com uma Barbie ou alguma outra bugiganga como presente, o que me importava era ser lembrada (o que ainda continuo querendo, mesmo tendo "crescido"), mas hoje o único presente que eu quero é uma coisa que quando eu tive nunca dei valor e agora que eu não tenho mais, percebo quanta falta me faz: a minha paz. Talvez eu a encontre perdida por aí em algum botequim ou nos braços de uma paixão, quem sabe; é esse desejo que eu vou fazer quando for soprar a vela do bolo ou for fazer um brinde, tanto faz, o importante é querer. Sonhos podem se tornar realidade, nunca se sabe.


Sexta-feira

faz de conta


Se você se perder, onde vai esperar?
Na fronteira dos sonhos
Ou na ilusão do real?
Será que você vai se encontrar?

Se você quiser eu posso te ajudar
Não direi se está certo ou errado
Não usarei psicologia barata
Nem farei julgamentos moralistas
Direi apenas para você fazer aquilo que deseja

Se você quiser eu posso te ouvir
Me fale da sua vida e de como você se sente
Me fale dos seus medos
Eu não rirei se você chorar

Se você quiser eu posso te abraçar
Acariciar seus cabelos
Beijar sua boca
Jurar amor incondicional
Eu não me importarei em mentir
Também sei que você não vai acreditar

Se você quiser eu posso te seguir
Irei aonde você for
Até mesmo se você fugir.
Serei consolo nas horas tristes
E nas noites frias, calor

Se você quiser eu posso te conhecer
Saber quem você realmente é
Fazer parte da sua vida
E te esperar quando você se perder
Basta você querer



Quarta-feira

ouvindo...


Vai sim, vai ser sempre assim
A sua falta vai me incomodar,
E quando eu não agüentar mais
Vou chorar baixinho, pra ninguém ouvir.
Vai sim, vai ser sempre assim,
Um pra cada lado, como você quis
E eu vou me acostumar,
Quem sabe até gostar de mim.
Mesmo que eu tenha que mudar
Móveis e lembranças do lugar,
O meu olhar ainda vê o seu
Me devorando bem devagar.
Vem, que eu ainda quero, vem.
Quando menos espero a saudade vem
E me dá essa vontade, vem
Que eu ainda sinto frio
Sem você é tudo tão vazio
Vem me dar essa vontade,
Vem que esse amor ainda é meu.
Troco todos os meus planos por um beijo seu
E essa noite pode terminar bem.


Segunda-feira

o valor natural do egoísmo

O egoísmo vale o que valer fisiologicamente quem o pratica: pode ser muito valioso, e pode carecer de valor e ser desprezível. É lícito submeter a exame todo o indivíduo para se determinar se representa a linha ascendente ou a linha descendente da vida. Quando se conclui a apreciação sobre este ponto possui-se também um cânone para medir o valor que tem o seu egoísmo. Se se encontra na linha ascendente, então o valor do seu egoísmo é efetivamente extraordinário, — e por amor à vida no seu conjunto, que com ele progride, é lícito que seja mesmo levada ao extremo a preocupação por conservar, por criar o seu optimum de condições vitais.
O homem isolado, o "indivíduo", tal como o conceberam até hoje o povo e o filósofo, é, com efeito, um erro: nenhuma coisa existe por si, não é um átomo, um "elo da cadeia", não é algo simplesmente herdado do passado, — é sim a inteira e única linhagem do homem até chegar a ele mesmo... Se representa a evolução descendente, a decadência, a degeneração crónica, a doença (— as doenças são já, de um modo geral, sintoma da decadência, não causas desta), então o seu valor é fraco, e manda a mais elementar justiça que ele subtraia o menos possível aos bem constituídos. Ele não é mais do que o parasita destes...


Friedrich Nietzsche, in "Crepúsculo dos Ídolos"

Sábado

meu gira mundo

Mudo constantemente, o que não me agrada abro mão. Mudo de opinião, mudo de vontade, mudo o corte de cabelo, mudo as coisas de lugar. Mudo de humor... Só não me mudo se for pra agradar outros.
Amo depois odeio e volto a amar mais do que antes, daqui a pouco eu não sei mais o que sinto.
Me encolho num canto, me arreganho e me mostro sem medo, nunca gostei de máscaras. Caio e vou ao chão, mas depois me levanto como se nada tivesse acontecido.
Escrevo e digo, leio e apago se não gostei. Desminto minhas palavras, contradigo meus pensamentos. O que ontem eu não faria, hoje eu já fiz e se eu quiser, amanhã volto a fazer. Meus valores caem por terra sem eu mesma perceber.
Não tenho compromisso com o erro mas ele é um parceiro constante, entra no meu mundo sempre que eu penso que ele não vai voltar mais. Mas deixa, errar é um mal necessário.
Costumo odiar gente que impõe limites a tudo, que sonega afeto como se fosse fazer falta mais pra frente. Não espero nada de ninguém mas me dôo, nunca fui de me contentar com pouco ou com restos, quero tudo o que a vida tem de bom.
Eu não posso voltar atrás, por isso faço o meu melhor, mesmo pra quem não mereça. Não faço dos meus dias um cotidiano sem cor; cada dia é único, um misto de realidade e sonho.
Se nada me pertence de verdade, então porque eu vou me prender se eu tenho o mundo inteiro ao meu dispor?
Eu não me acomodo com aquilo que me incomoda.

Quarta-feira

um belo dia resolvi mudar

E fazer tudo o que eu queria fazer
Me libertei daquela vida vulgar
Que eu levava estando junto a você
E em tudo que eu faço
Existe um porquê
Eu sei que eu nasci
Eu sei que eu nasci pra saber

Segunda-feira

já que é assim...


Foda-se você
Foda-se o que eu faço
E o que eu deixo de fazer
Foda-se
Melhor calar a boca se não tem o que dizer

Só de rolé eu vou assistir
Mais uma volta do mundo
E o teu castelo cair
Agora pensa bem
Que ninguem é melhor
Do que ninguem

jogando pra perder?

Há verdades que parecem não serem enxergadas, apesar de serem tão óbvias. Às vezes o confronto com a realidade é uma desilusão. Criar expectativas é inevitável, além de indispensável para motivar ideais e metas. Conquanto, por ter pintado determinada situação ou pessoa como ideal demais, subestimando as falhas e as características negativas sem levar em conta o lado objetivo, quase sempre há decepção quando se descobre a situação (ou pessoa) como esta realmente é. Assim, as expectativas não se concretizam e acaba-se criando um "monstro", a frustração.
As decepções estão ligadas a padrões criados já que a percepção real é tomada por idealizações. Portanto, a honestidade pode ser uma boa saida para evitar frustrações. Deixar bem claro o que se quer, pôr as cartas na mesa, explicar o que se deseja de uma dada situação, além de ressaltar o que não consegue ceder.
Logo, não é preciso presumir o que os outros pensam ou desejam, muito menos adivinhar quais expectativas deve~se fixar nas relações, na vida social e ou pessoal, planejando com realismo, enxergando a realidade com um pouco mais de credibilidade, podendo então ser mais feliz nas realizações e por conseguinte, nas tidas expectativas.

Sábado

do fim ao princípio

Quando não se há nada a perder, quando tudo o que se possui é tomado e tudo em que se acredita acaba sendo negado, deve-se rever os conceitos, fazer uma reflexão das ações e princípios.
Apesar do desespero ou de toda a frustração, é preciso ponderar sobre o que é realmente necessário para a vida. Viver é avançar, progredir sempre em todas as frentes; não avançar é o mesmo que retroceder. Se continuar fazendo o que sempre faz, continuará obtendo o que sempre obteve.
Não há um eu permanente, nada é eterno, há apenas mudanças perpétuas. A família, os amigos, os bens, até mesmo a mente e o corpo – todas as coisas tidas como “eu” ou “meu” – estão sujeitos a mudanças e deterioração perpétuas. Ainda assim, as pessoas se tornam mental e emocionalmente apegadas a elas como se fossem permanentes, de modo que quando alguém morre, por exemplo, as pessoas sofrem. Mesmo os momentos de felicidade são insatisfatórios, porque nunca duram. O caminho não deve ser ensinado mas sim aprendido. O começo, o meio e o fim, a vida mundana é como uma ilusão, a mudança é a lei da vida. Existir é sofrer e o sofrimento é causado pela ligação a coisas impermanentes e cessa com o fim dessa ligação.
A angústia diante da liberdade de escolher o curso que deseja dar à sua vida, optando por uma vida autêntica e questionadora ou refugiando-se na banalidade do cotidiano e nos interesses imediatos, limitados e efêmeros. De um lado, na autenticidade, o reconhecimento do absurdo e a perplexidade diante da vida, do outro, a insatisfação de uma vida inautêntica e medíocre.
O que importa, de fato, é a motivação que faz seguir adiante. Contentar-se apenas em sobreviver e, com isso, ter somente uma subvida? Ou estabelecer uma meta, mesmo que irreal ou inalcançável, para, ao menos, ter com o que sonhar?

Quinta-feira

nec plus ultra

Ainda há uma certa confusão em mim, uma dor tantálica e secreta, de sentimentos quebrados, de sonhos amargos, uma tristeza de saudade.
Inútil dizer que, entrementes, deveria ficar longe das recordações, marcas que são pra me lembrar de coisas que não vão voltar.
Sei que não posso dar vazão aos meus obscuros pensamentos, mas o que devo fazer então? Me abster de tudo? Fugir pra outra realidade? Procurar conchas numa praia deserta? Ou viver numa utopia irresoluta?
Uma muralha de silêncio foi erigida, gritos surdos em meio a delírios mudos. Nesses momentos a minha consciência parece meio que fugir tendo a eternidade à frente, os minutos, as horas, indo e vindo, até que o tempo mostre um outro caminho.
Há verdades que nem a mim mesma contei, foi o que mais doeu. Um pouco de verdade, mesclada a muitas mentiras, talvez reveladoras de íntimos sentimentos... E mesmo assim tive prazo pra me envergonhar de mim.
Diante dos conflitos, senti no íntimo do meu ser conturbado um medo sem ter culpa, um longo e obediente sofrimento. Será que é por isso que tudo tem que mudar?
Nos sonhos morrerei sorrindo. Minha alma e minha história a mim pertencem e comigo irão, não mais além.
Hoje, não falto mais com a minha verdade e também tento não cometer aqueles mesmos erros. Para trás não sei mover um passo e assim sigo.

Terça-feira

houve uma vez

Que eu duvidei não das pessoas mas sim de mim e tive tanto medo de me machucar que quando percebi, já estava sangrando e mesmo assim eu não sequei. As feridas se fecham mas novas se abrem quando menos se espera e assim é.
Um pouco de álcool pra me manter viva, e, quem sabe. me distrair de mim. Os dias vão e vem, mas ainda me falta algo; então tomo mais um gole de ilusão pra entorpecer o corpo e talvez a alma.
A noite chega e traz o sono, um pouco de alívio. E é quando eu me desprendo do que não era pra ser e corro em direção ao que eu quero quer seja.
Houve uma vez que eu sonhei tanto que perdi a noção do tempo e da realidade, inebriada pela fantasia, e quando eu acordei nada mais era. E venho o silêncio, longos ecos que de longe se confundem. Outra vez um silêncio súbito. Que horas serão? Com certeza é tarde.
Não há mais desespero, nem corpo nem alma e nem vida. Nem nada.
Houve uma vez.

Quarta-feira

agora eu sei

Eu vivia numa redoma, não conhecia o lado ruim das coisas e via o mundo com outros olhos e não sabia odiar, pode ser até que não soubesse amar - era o que eu pensava.
Percebi que a vida às vezes é um sonho tão cheio de dores tristemente mansas, mas noutras, uma singular mistura de alegria e melodrama, cheia de silêncio e som.
Os tempos mudam, portas se fecham e a vida prossegue, na encruzilhada silenciosa do destino.

Terça-feira

o vazio cego

Parece tõ fácil não lembrar
Do que não era pra ser
De todas as chances que desperdicei
Dos sonhos que tive medo de sonhar
Por demasiado tempo pertenci a solidão
Um vazio que abrigou o meu fracasso
Estava perdida no mesmo lugar
Trancada na mais profunda escuridão
Dúvidas querendo me convencer
Como uma tempestade sem fim
Em meio a afirmações indiscutíveis
Foi-se a parte boa de mim
Sobrou o meu lado escuro
Mentiras e meias-verdades de uma vida

Segunda-feira

acerca dos dias

Eu tenho os meus dias bons e os meus dias ruins.
Nos dias ruins eu penso nos bons e assim segue.
Vários dias foi rodando até que tudo se tornou monótono.
O amanhã acontece, hoje e sempre.

Sábado

pseudofobia

Reviro meus sentimentos
Tento meus desejos
Enlouqueço meus anseios
Me confundo com o silêncio
Grito, mas só ouço ecos no vazio
Vozes que antes me guiavam
E que agora zombam de mim
Longe demais eu vôo sem direção
Numa guerra de um só
Atolada nas profundezas da ilusão
Meu caminho eu desbravo sem medo
Olho para trás e para frente sem nada ver
Já não me importo com o sofrimento
E assim vou seguindo minha confusão...

Quarta-feira

sua carência minha ruína



Lembranças de maio...


Mais um dia se passou e eu me pergunto aonde você está. O teu sorriso não vi mais, mas me lembro bem, esteve incrustado em mim por eras. Você me fez te amar. Você me fez sofrer. E eu não queria. Sonhei que algum dia tudo pudesse mudar, foi um grande erro meu acreditar. Emoções são um perigo, algo que pode te afundar nas profundezas mais sequiosas da alma. É preciso conter as emoções; é preciso ter domínio acerca dos sentimentos senão estes te levarão a derrocada. O amor é curioso, me levou a fazer coisas de que me arrependo ou tenho vergonha de admitir, me deixou patética. Eu não posso fazer as coisas voltarem, mas mesmo se pudesse, não faria nada diferente do que fiz antes, mesmo já sabendo o que ia acontecer. Apenas saber não ajuda em nada, às vezes as melhores coisas da vida não fazem sentido, muito menos as piores. Meus olhos já não se arrasam em lágrimas. As minhas fraquezas já não estão mais expostas, eu não sou mais um mártir. Meu desprezo e minha aversão cresceram juntos, mas hoje não me afetam mais, Eu cheguei a te odiar e acabei odiando esse meu ódio, é preciso reservar-se para o inimigo mais digno.
O mago age com desembaraço, encena verdades, qual palhaço, tudo lhe cai bem... gente acomodada, caindo em migalhas. Falsos valores, adulações, discursos repletos de frases-feitas, tantos clichês! Ainda não sei quais foram as mentiras, acho que seria mais fácil tentar saber quais foram as verdades, se é que houve alguma. Toda palavra é doce, toda palavra é crueldade.
Minha história é a de um sonho que sonhei, mas sonhos são traiçoeiros, intrigantes e sombrios, apenas fantasia. Eu não consigo me lembrar dos meus sonhos quando acordo, às vezes fico furiosa, outras preocupada. Noutras vezes falo comigo mesmo, um monólogo sem sentido que se torna um silêncio insidioso, então fecho os olhos e escuto a sua voz.
Tudo vai quando é preciso, tudo torna quando é necessário. As lembranças insistem em me acompanhar e então a saudade vem, não tem pena, me maltrata com tanta força que nem consigo reagir. Me entrego a recordações e devaneios mas logo estes somem como se fossem magia, uma memória turva.
Nunca passou pela minha mente o que ia acontecer. Queria que o tempo parasse, que não tivesse acabado. Tudo foi uma ilusão que me fez questionar a natureza das coisas, a realidade. Nenhum fato pode ser destruído, mesmo com todas as mentiras e traições, não posso me esquecer do passado que existiu nem dos acontecimentos, posso apenas guardá-los num lugar onde eles não me consumam.
Às vezes me pergunto se teria sido tudo diferente se eu não tivesse dado vazão a minha raiva. Ou então no que teria acontecido se os sonhos que nós partilhamos não fossem apenas sonhos que acabaram sendo chacinados pelo destino. Às vezes me pergunto se eu tivesse te humilhado em todas as ocasiões em que tive oportunidade, você teria se lembrado em me respeitar ao menos uma vez. Ou se simplesmente eu tivesse te ignorado você não me trataria com tanto desdém. Poderia ter sido tudo diferente, mas foi igual e sempre vai ser assim.
Eu tentei demais, arrisquei tanto e acabei perdendo toda esperança em você. Eu tentei me manter afastada mas a minha vontade só me fez querer voar pra dentro de ti. Você foi um vício, levou a minha paz. Você roubou o pouco que eu tinha em você, aquele pouco que eu pedi e você me negou. Você passou e deixou marcas tão profundas... Me virou as costas quando eu mais precisei, mas eu fui mais forte, o meu corte virou cicatriz.
Acreditei numa mentira que eu mesma criei, idealizei demais, confiei demais. Fui eu que me iludi...
Aquela pessoa maravilhosa não era tão maravilhosa como eu imaginava, era apenas uma pessoa vazia e que adora frustrar os outros. Aquele amor nunca existiu, aquele "nosso" sonho tão logo se acabou, os planos que traçamos juntos já não existem mais.
Sei que já tentei de tudo, sei que já não quero mais lembrar... Pra quê pensar em nós? Mas no íntimo eu não quero esquecer, no íntimo não admito ter sido esquecida.
O tempo passa devagar, ninguém me conta coisas novas e os dias são tão iguais e as noites tão vazias... tudo é alheio a minha vontade.
Queria ter tido a chance de corrigir e apagar, talvez pudesse juntar os meus pedaços ou me curar desse câncer que corrói o meu âmago...
Se ao menos eu pudesse te esquecer, quem sabe eu poderia voltar a ser.



"Eu te perdôo o que me fizeste, mas se o tivesses feito a ti mesmo, como poderia te perdoar?"




Sábado

...

Sofra o que tiver que sofrer
Desfrute o que existe para ser desfrutado
Considere tanto o sofrimento
Como a alegria como fatos da vida
Não obstante o que aconteça

Terça-feira

o que já não é

As lágrimas se secaram, correntes não me prendem mais, o sufoco é fugaz. Os dias demoram a passar mas correm tanto que não consigo acompanhar. As horas não valem nada. Parece tudo tão irreal. O que foi já não é e nem voltará a ser. Aquele adeus tão frio e mais nada, seja como for... a dor que já não me dói. As imagens estão distorcidas, a minha percepção já não é mais a mesma. Nada mais é. As noites sabem como te esperei mas vou seguindo, me esquecendo de você e se a saudade me deixar falhar, me desculpe! Nada faz acontecer de novo, nada traz de volta. Tudo que eu não percebi, tudo que eu não quis ver. Verdades não ditas, promessas falsas, nada mais que fugas e contradições. E a decepção, um misto de tristeza e frustração, caos e dor. Sentimentos revirados, masltratados pelo tempo. E as lembranças, um gosto amargo que às vezes me chega. O tempo vai embora e os dias são iguais, ainda que eu não possa ver se isso é mesmo real. As tempestades fazem voar meus sonhos e parece não parar tão cedo. Mas afinal, não é assim que são as coisas? Começo e fim se sucedem. Tudo que foi. Tudo que já não é. Nada mais.

Segunda-feira

assim foi...

Estou sendo impelido adiante Para uma terra desconhecida. O desfiladeiro torna-se mais íngreme O ar mais frio e cortante. Meu destino desconhecido, como se vento fosse, Agita as cordas Da expectativa. Volta a pergunta: Será que, algum dia, lá chegarei? Lá, onde a vida entoa Uma nota pura e clara No silêncio.